sábado, 7 de janeiro de 2012

Como você ocupa sua cidade?

Qual sua reação ao encontrar no meio do caminho trinta pessoas se deslocando da mesma maneira que você?
Felicidade em poder conversar durante o trajeto e ter companhia ou desespero com a perspectiva de chegar atrasado e ficar preso sozinho isolado em meio a um mar de buzinas e fumaça?

Dificilmente, quem se locomove de carro opta pela primeira opção - mesmo que as outras 30 pessoas sejam todas conhecidas, familiares e amigos. Encontrar 30 carros no caminho não costuma ser uma opção agradável. Dá vontade de evitar o problema, ultrapassar, acelerar, negar, resolver aquilo o mais rápido possível. Simplesmente completar o deslocamento, seja ao custo que for. A velocidade passa a ser o fator principal. E a tendência é cobrar que as pistas sejam alargadas, que novas pontes, túneis e viadutos sejam construídos (mesmo que, no futuro, isso abra espaço para 60 carros no caminho e torne o deslocamento ainda mais lento e o ar ainda mais sujo). A prioridade é resolver o problema imediato. É a fluidez pura e simples.

Quando você transita, está ocupando espaço. A escolha e a decisão sobre como trafegar afetam não só sua visão sobre a cidade, como influenciam a própria formatação da cidade. Optar pelo uso diário, cotidiano e banal de automóveis é optar por mais avenidas e asfalto. Em cidades em que nem sempre existem alternativas satisfatórias como transporte público de primeira e/ou segurança para deslocamentos de bicicleta, a tendência é mais e mais gente optar pelo transporte individual motorizado. E a cidade se tornar mais e mais inviável.

No lugar de restaurantes simpáticos, padarias, escolas de natação, de música e bibliotecas, surgem e prosperam estacionamentos, oficinas e lojas para instalação de películas escuras e potentes aparelhos de som. As ruas se esvaziam de pessoas - e permanecem cheias de automóveis parados. Os prédios também. Vazios de pessoas, cheios de automóveis parados; alguns com cinco andares de vagas. Em quantos prédios o espaço de lazer, as quadras e os jardins são maiores do que o espaço reservado para os carros? Uma árvore ocupa o espaço de uma vaga.
Este caminho leva ao colapso. O apocalipse motorizado é formado por congestionamentos, gente infeliz e ar sujo. Não importa quanto dinheiro se investe para ampliar o sistema, para melhorar a eficiência, para deixar as ruas mais rápidas, nada dá certo. É a história de São Paulo, mas também a de Los Angeles e a dos principais centros urbanos que apostaram em priorizar o transporte individual motorizado.
Há caminhos alternativos, no entanto, e um deles é procurar ocupar as ruas de maneira diferente. Descobrir o prazer de não só completar rapidamente o percurso, mas de percorrer com calma a cidade; tentar aprender a encontrar outras vias; combinar ônibus e trens com caminhadas; pedalar, dar e receber caronas. Não precisa nem ser todo dia. Mas se, de alguma forma você encontrar um jeitinho de diminuir o uso de automóveis, já está ajudando. É óbvio que, para mudanças efetivas, é preciso também envolvimento do poder público. É necessário priorizar investimentos em transporte coletivo em detrimento do individual. É necessário que o cidadão tenha mais e mais opções, possa escolher.
São duas frentes paralelas que devem acontecer de maneira conjunta. Uma depende da outra. E, para avançar na construção de outra mobilidade urbana, é preciso ocupar a cidade com prazer, entusiasmo e felicidade (em vez de com fumaça, estresse e cansaço).
- Daniel Santini - ((o))Eco -

Bom final de semana!

5 comentários:

Aliny disse...

tia o seu post eh legal de ler + dificil de colocar em pratica..falo pela minha city..tipo meu tio claudio nunca gostou de carro..mas devido o emprego teve q tirar carta e comprar carro..exigencia do cargo q ocupa..tio Daniel q tah na França carro guardado na garagem..e os outros tios tb precisam do carro..mamy tb..pq viaja de um city p outra..nem pensar em andar de bik...de bik soh nos parques..vamos ver neh se fazem akele Metro q vai de Sampa ate RJ..Oh vida..Oh transito.. Bjinhux

... Morgana disse...

Olá dinda! Passando para ver as 9dades! Esse seu cantinho é muito bom! TODOS são muito bons! Beijos cintilantes. Morgana

Ane disse...

A solução seria também um bom transporte público,mais metrô,ônibus...Bjos ecológicos!

Frida disse...

Olá querida! Valiosa essa sua reflexão! É uma grande alegria receber sua visita! Muito obrigada! Acabei de atualizar. Luz e Paz! Frida

ONG ALERTA disse...

Excelente texto, quem se preocupa com sua cidade...as pessoas nem param para pensar sobre isso.
Beijo Lisette.