Pode parecer banal falar de calçadas, de faixas de pedestres na discussão sobre soluções para mobilidade urbana, mas é inviável pensar até mesmo em um sistema de transporte público que não considere condições mínimas para o deslocamento a pé. Atualmente, o espaço público não é seguro para pedestres. O risco de machucar o tornozelo no buraco da calçada ou até mesmo de ser atropelado ao atravessar a rua, desestimulam as pessoas a andar a pé. E para andar de transporte público, precisamos, antes, andar a pé.
Mesmo assim, desde a chegada da indústria automobilística ao Brasil, o pedestre vem perdendo a disputa da ocupação e circulação urbanas, se expondo, inclusive, ao risco de morte: dados do levantamento mais recente do Departamento Nacional de Trânsito (Denatran) indicam que, em 2008, 5.429 pedestres perderam a vida em acidentes de trânsito no Brasil. Só na cidade de São Paulo, quatro pessoas morem diariamente em acidentes de trânsito, em média, e metade são pedestres atropelados atravessando a rua ou até mesmo na calçada, segundo a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET). Interessante é que o pedestre transformado em motorista muda de personalidade. Dentro do carro, ele não consegue se enxergar como pedestre e faz barbaridades que como pedestre ele abomina.
A solução está em políticas públicas que privilegiem o pedestre e na educação para o trânsito.
- equipe Akatu -
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